segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Fala, Yoani, fala


(Charge de Carlos Latuff)

Lendo em Socialista Morena por Cynara Menezes

Quando Darcy Ribeiro imaginou o socialismo moreno, um socialismo à brasileira, adaptado à nossa realidade e ao nosso jeito de ser, sem seguir modelos, tenho certeza que uma das condições que tinha em mente era a liberdade de divergir. Portanto, para ser coerente com a proposta deste blog de homenagear Darcy, aqui Yoani Sánchez tem vez e tem voz. Como cidadã cubana e habitante da ilha, considero legítima sua opinião, concordemos ou discordemos dela. Mas para discordar ou concordar é preciso OUVI-LA.


Reproduzo, a seguir, a íntegra da entrevista que fiz com Yoani na semana passada em Feira de Santana, na Bahia. Não vou me manifestar sobre o que achei das palavras da blogueira para não influenciar a opinião de vocês. Só digo que são palavras que fazem refletir. Boa leitura.

***

“Não creio que em Cuba haja socialismo”, diz Yoani Sánchez

–Você é de esquerda ou de direita?

–Me considero uma pessoa pós-moderna, ou seja, considero que os limites e as fronteiras entre os fenômenos que vivemos não estejam tão claros. Quando alguém me pergunta se sou jornalista, digo que estou no meio do caminho entre o jornalismo, a literatura, o ativismo cívico, talvez algo de informática. Isso faz com que o produto final do meu trabalho seja um híbrido. O mesmo ocorre a respeito de temas que definem as posições ideológicas. Por exemplo: sou uma defensora da liberdade de expressão, sobretudo da liberdade de imprensa. Para muitas pessoas isso me colocaria ao lado dos liberais, do liberalismo. No entanto, também sou uma grande defensora desse setor que há em toda sociedade, mais desfavorecido. Nasci num solar de Havana, uma casa coletiva. Um solar é uma casa que foi linda, mas que com os anos foi dividida e vivem muitas famílias, com banheiros coletivos e cozinha coletiva.

–Aqui dizemos cortiço.

–Ainda hoje digo a meu marido: ‘Posso ir ao banheiro?’ E ele responde: ‘Mas é claro, vai. Precisa pedir?’. Porque quando eu era pequena tinha que perguntar se podia ir e sempre estava ocupado… Minha família é de ferroviários, por isso me preocupo muito com as pessoas pobres. Me preocupa a situação que vivem agora os mais desfavorecidos do meu país com todas estas reformas de corte neoliberal que Raúl Castro está fazendo. Por um lado estão abrindo espaços, estão criando oportunidades para o setor privado –em Cuba se diz ‘setor por conta própria’, mas é o setor privado. Por outro, estão criando grandes diferenças sociais, muita gente está ficando desprotegida materialmente, gente que está perdendo seus trabalhos, que não tem acesso à moeda conversível. Vou contar uma pequena história: em Cuba, temos muitos problemas com o tema da qualidade da educação, porque os salários dos professores são muito baixos e pouca gente quer ser professor. Então está acontecendo um fenômeno, as famílias estão pagando ‘repassadores’, professores extras nas horas que os estudantes não estão na escola. E já começa a se notar, do ponto de vista acadêmico, a diferença entre os estudantes cuja família tem dinheiro para pagar um professor adicional e a família que não tem. A compra e venda de casas, uma medida largamente desejada, no entanto está provocando a redistribuição classista dos bairros. Gente que tem mais dinheiro vai para os melhores bairros e os que tem menos, para a periferia, aos piores edifícios. Isso está se fazendo sem levar em conta uma política de transparência e sem uma política de proteção a essas pessoas. Se continuar assim, teremos uma Cuba tão neoliberal quanto qualquer outro país, com as grandes diferenças e os grandes abismos. Nesse ponto, eu poderia ser tachada de esquerda. Creio que o Estado tem a obrigação de proteger as pessoas mais desfavorecidas materialmente, para que não entrem na competição da vida com desvantagens. O Estado tem a obrigação de garantir um ensino público de qualidade pelo menos até determinado nível escolar. Tem também o dever de garantir uma ajuda aos familiares. Agora, eu não creio que em Cuba haja um socialismo. Quando era pequena, tive que estudar muito as teorias marxistas, leninistas, a economia socialista, manuais que eram muito abundantes até alguns anos –agora diminuiu. E recordo que praticamente a primeira página desses manuais dizia que uma sociedade socialista ou comunista era onde os meios de produção estavam nas mãos do proletariado. Era como uma fórmula. O que acontece em Cuba? Temos um só patrão que se chama Estado ou governo ou Partido Comunista ou como você queira chamá-lo. Esse patrão tem os meios de produção em suas mãos, contrata os operários e lhes toma uma enorme mais-valia: entre o valor da produção e o salário que recebe o operário há um abismo. Imagine que em Cuba existem pessoas que trabalham confeccionando charutos e cada charuto pode custar depois, no mercado, um mínimo de 30 pesos conversíveis, mas essa pessoa recebe por mês um salário abaixo disso. Ou seja, a mais-valia é total, com o agravante de que você não pode protestar. Nós temos um patrão capitalista, a diferença é que nosso patrão é uma família, um grupo de militares que tem um discurso aparentemente de esquerda. Mas quando você observa bem, há muito de capitalismo selvagem e inclusive de feudalismo medieval.

–Você preferia que a revolução cubana não tivesse acontecido?

–Não, não. Penso que a revolução foi um bom detonante para a energia. O problema foi quando a revolução se devorou a si mesma e deixou de ser uma revolução.

–Quando isso ocorreu?

–Essa é uma grande discussão. Por exemplo: meu marido, que é jornalista e é mais velho do que eu, diz que a revolução terminou em 1968, porque neste ano Fidel Castro aplaudiu a entrada dos tanques soviéticos em Praga. E isso foi determinante: como uma revolução rebelde permite que um império –ainda que seja comunista é um império– termine com um processo nacional de rebeldia, de transformação? Outras pessoas dizem que a data foi 1980, com o êxodo de Mariel, quando mais de 120 mil cubanos disseram ao regime: ‘Não gostamos deste sistema’. Essa foi uma maneira de votar. Minha mãe diz que para ela a revolução terminou em 1989, o ano em que fuzilaram o general Arnaldo Ochoa, que estava vinculado ao narcotráfico, mas também foi um julgamento político. Um julgamento a um setor que poderia, dentro dos próprios militares, provocar uma mudança. Ou seja, as datas são muitas. Eu não conheci a revolução. Nasci em 1975, sob muito estatismo, sovietização, rigidez. Aqueles rebeldes descidos da Serra Maestra, que pareciam tão jovens, com seus escapulários, tão reformistas, tão sonhadores, no momento em que nasci já eram uns burocratas de abdômen avantajado e muito cuidadosos cada vez que davam um passo para que nada lhe fugisse do controle. A revolução, sim, a revolução foi uma necessidade de muitas pessoas. E muita gente acreditou na revolução e muita gente se sentiu traída com a derrota final da revolução.

–Mas e se não tivesse ocorrido o embargo norte-americano? Poderia ser diferente, não?

–O embargo, sem dúvida, fez com que a revolução se radicalizasse e deu ao governo um argumento para explicar tudo. Mas eu não creio que realmente o tema das liberdades fosse diferente sem o embargo. Simplesmente vivemos sob um sistema pensado para que o indivíduo não possa ser livre, porque se é livre, começa a perguntar, a questionar, a se associar, a buscar informação e o sistema não funciona, porque é um sistema que está baseado em que o mundo é um inferno e Cuba é um paraíso. ‘Você tem que se conformar com o zoológico porque lá fora é a selva’: essa é a dicotomia que explora o governo cubano. Quando a pessoa abre os olhos, lê outra literatura, contacta com outras pessoas, essa dicotomia começa a ruir, já não funciona.

–Para nós, o que parece injusto é que um país gigante tente esmagar durante anos uma ilha pequena só porque decidiu fazer diferente e ser comunista.

–Esse é o símbolo de Davi contra Golias. Mas o Davi que eu conheço se chama povo cubano. E o Golias que faz a minha vida difícil é o governo de Cuba.

–Você não teme que acabe o regime dos Castro e Cuba caia em mãos dos cubanos de Miami, que são políticos da pior direita inclusive para os Estados Unidos? Ou seja, pular da frigideira direto para o fogo?
–A Cuba do futuro tem muitos riscos, mas não é por isso que vamos nos conformar com o presente. Não é uma atitude de esquerda se paralisar por temor ao futuro. A atitude de esquerda é: vamos à mudança! E depois encontraremos soluções para os problemas que irão surgindo. Não tenho esse temor, mesmo porque o exílio de Miami também é um estereótipo. Agora mesmo é um exílio muito plural. Passaram-se 54 anos desde que começou o exílio, os que se foram em 1959 ou nos anos 1960 já são octogenários. Ao exílio ou à emigração, como chamam agora, chegou uma nova geração com outra mentalidade. Inclusive, nas últimas votações para presidente, um amplo setor da Flórida votou em Barack Obama. No último ano, 400 mil cubanos viajaram à ilha, vindos principalmente dos EUA. É um sinal que lhes importa mais agora os vínculos familiares do que o tema político ou econômico. Não tenho esse temor realmente de que ocorra a miamização de Cuba, primeiro porque não creio que o dilema nacional seja os Castro hoje ou Miami amanhã. Em meu país há gente talentosa, com muito critério e muito patriotismo. O patriotismo não tem nada a ver com o governo atual ou o sistema comunista. Amar Cuba é outra coisa, não é amar uma ideologia, é amar os coqueiros, José Martí, a música, viver ali. É preciso diferenciar isso. E penso que o desafio do futuro será aproveitar esse conhecimento, esse capital que tem os mais de 2 milhões de emigrados cubanos que hoje não tem nem mesmo o direito ao voto em seu país natal, conseguir que esse exílio se integre à vida nacional, mas sem que esmaguem a nós, os cidadãos que vivemos ali. Um dos grandes temas da Justiça do futuro será o tema das devoluções de propriedades. Outro será como estruturar o tema empresarial para que os emigrados não tenham vantagens sobre os nacionais que não temos capitais. Mas de verdade não temo isso. Tem muita gente que diz: ‘você não teme que chegue o McDonald’s em Cuba?’ Não, não temo, chegará. O que me preocupa muito agora é que o operário cubano, para comer um hambúrguer, precise trabalhar dois dias completos. Não me importa que se chame McDonald’s ou McCastro, mas que as pessoas tenham a oportunidade de ter um salário digno que lhes permita escolher entre comer vegetais ou um hambúrguer.

–Você fala muito de direitos humanos. O que acha dos presos norte-americanos em Guantánamo?

–É um horror dos EUA, uma ilegalidade. Infelizmente não posso fazer nada quanto a isso.

–O que é o melhor que pode acontecer em Cuba? Haver eleições?

–Acho que sim. Mas é importante que a pressão venha da cidadania, que as próprias estruturas que estão nascendo, os grupos –todos pacíficos– da oposição, da sociedade civil, o jornalismo independente, consigam pressionar o governo. Isso seria o ideal. Pressionar para que comecem logo uma série de reformas não só no plano econômico como político. Creio que o principal é despenalizar a divergência. Me dizem: ‘bom, isso não é uma lei’. Mas é importante. Em Cuba tem muita gente talentosa que tem iniciativas e programas de mudança pensados na nação, mas que agora tem medo de divulgá-los. Conheço economistas que tem projetos para sanear a economia, para eliminar a dualidade monetária, mas dizem: ‘eu não posso mostrar isso porque vão me acusar de ser da CIA, do império’. Muita gente tem medo de dizer suas propostas. Quando o governo cubano, Raúl Castro, tome o microfone e diga ‘neste país nunca mais ninguém vai ser nem encarcerado, nem golpeado, nem estigmatizado por pensar diferente do governo, por ter outra tendência política ou outra opinião sobre a economia ou as finanças’, nesse dia tudo começa a mudar porque as pessoas vão começar a se atrever a dizer o que pensam.

–Se Cuba vai tão mal, por que as pessoas não se revoltam?

–As pessoas em Cuba se rebelam emigrando. A revolta cubana não está na praça Tahrir, está do lado de fora dos consulados. É muito diferente. No Egito e na América do Norte se acumulou uma massa de jovens inconformados com o sistema, com essas ditaduras de muitos anos. Em Cuba temos um grande déficit de jovens, de natalidade. Cuba tem a natalidade um país de primeiro mundo e a emigração de um país de terceiro. Ou seja, a população está entre duas tendências. Uma, parece, muito positiva, e outra, muito negativa. Não há essa população jovem tão grande. Por outro lado, a tecnologia está num estado muito rudimentar. Para a primavera árabe, foram determinantes as redes sociais, os telefones celulares, blackberries.

–Isso, sim, tem a ver com o embargo… A tecnologia não chega a Cuba.

–Mais ou menos. Por um lado, sim, pela possibilidade de comprar tecnologia. Mas a tecnologia é vendida na China, no Japão, no Panamá. Há um monte de telefones chineses. O problema tem a ver com os custos da telefonia celular em Cuba. O telefone celular se paga com pesos conversíveis, não se paga com moeda nacional. Um SMS que se envia a um celular estrangeiro custa um peso conversível em Cuba, enquanto o salário médio mensal são 20 pesos conversíveis. É uma limitação econômica. Há cerca de 1,8 milhões de celulares para uma população de 8 milhões. Essa infra-estrutura de convocatória online, que funcionou muito na primavera árabe, está em estado muito primitivo em Cuba. Outra limitação é que as pessoas não têm consciência cívica. Durante anos o Estado se ocupou tanto de tudo que muitas pessoas, contemporâneas minhas, sentem que o país não lhes pertence. O país é do governo, é do partido, de Fidel. Estão apáticas. Quando têm um pouco de rebeldia, não a usam para enfrentar um repressor na rua, mas para enfrentar um tubarão no estreito da Flórida. Creio que nós, cubanos, votamos com os pés. Não protestamos, mas votamos indo-nos do país.

–Você crê que agora que mudaram as leis migratórias pode haver um êxodo?

–Há muita gente planejando ir embora. Inclusive nos dias em que estive organizando os vistos, vi muita gente jovem do lado de fora dos consulados. É difícil, porque há muitos requisitos para conseguir um visto, mas os cubanos são engenhosos. Então o que estão fazendo? Vendem suas propriedades, a casa, o automóvel, e com esse dinheiro compram uma passagem para um país que não pede visto. Um dos primeiros sinais é que na Aeroflot, que voa de Cuba a Moscou, se esgotaram todos os bilhetes na primeira semana. Por que? Porque a Rússia não pede visto para os cubanos. Então vão para aí e usam este país como trampolim para ir a outra parte. Sim, vai haver uma saída em massa.

–Além da liberdade de expressão, o que mais você inveja no capitalismo?

–Eu vivo sob um capitalismo de Estado. Vivi também em outras sociedades, passei dois anos na Suíça, e lembro que me impactava muito o acesso à informação, poder escolher um jornal ou outro. E também o estímulo que o cidadão tem para prosperar. Em meu país, as pessoas sabem que trabalhar mais não vai lhes dar uma vida melhor. Então há muita apatia para trabalhar. Um pouco de competição não é ruim, faz a pessoa tentar se superar, melhorar, subir. Em Cuba vivemos todo o contrário. Tem gente que pensa: ‘para que trabalhar, se de todas as maneiras com o subsídio alimentar posso viver, muito mal, mas posso?’ Foi desestimulada a criação de riqueza nacional e pessoal, e isso me parece que tem que ser estimulado. Com a empresa privada, a pequena e média empresa, o cooperativismo, que será muito importante para a transição em Cuba. A criação de cooperativas de trabalhadores, agrícolas e industriais.

–Escutei você falar relativamente bem de Mariela Castro. Poderia ser uma saída ao regime que se tornasse presidenta, sucedendo seu pai?

–Eu não acredito que ela queira. Me parece que está mais focada na sexualidade e em seu trabalho no centro de educação sexual. Sim, poderia ser uma maneira de moderar o regime. Mas creio que criaria muito inconformismo nas pessoas, seria uma evidência de nepotismo muito clara: do irmão mais velho ao caçula e à filha deste. Nos deixaria um sabor tão amargo na boca que, por melhor que fosse sua presidência, sempre nos ficaria a impressão de que somos um reino que se herda consanguineamente.

–E se fossem convocadas eleições e ela se candidatasse?

–Eu não votaria nela. Ainda que faça um trabalho muito bom do ponto de vista da sexualidade e do respeito às diferenças, me parece uma pessoa com sérias dificuldades para dialogar. Todas as vezes que tentei um debate de ideias, recebi respostas muito agressivas. Quando um político age assim, tem muitas possibilidades de se converter em um ditador.

–Você falou que em Cuba a imprensa é monopólio estatal, já que só há um jornal, o Granma. Você sabe que no Brasil seis famílias detêm 70% da imprensa? Também é monopólio, não?

–Me parece uma boa razão para que os brasileiros lutem para mudar essa situação. Eu estou lutando no meu país para mudar a minha.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

URGENTE – adolescente Kaiowá-Guarani é brutalmente assassinado em CAARAPÓ – MS




Na manhã desta segunda-feira, o adolescente Kaiowá-Guarani GIlson Barbosa, de 15 anos, foi brutalmente assassinado com três tiros na cabeça enquanto pescava na reserva de Caarapó. Outros dois adolescentes que estavam com Gilson viram tudo o que aconteceu e confirmam que foram os jagunços e o filho do fazendeiro que cometeram este ato de barbárie
Ainda não temos mais informações, assim que recebermos outras noticias repassaremos imediatamente, como por exemplo o nome do fazendeiro vizinho da reserva.
REPASSEM ESTA MENSAGEM PARA QUE ESTE NÃO SEJA MAIS UM CASO DE IMPUNIDADE COM OS KAIOWAS E GUARANIS


sábado, 16 de fevereiro de 2013

Novo partido de Marina Silva vai se chamar Rede Sustentabilidade


Lendo em R7 por Marina Marquez

Nome foi apresentado neste sábado (16) em encontro em Brasília e terá sigla "REDE"


O novo partido da ex-senadora Marina Silva já tem nome definido: Rede Sustentabilidade. O nome foi apresentado neste sábado (16) em encontro dos simpatizantes do partido, em Brasília. A sigla do partido que será registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) é REDE. 
Marina defendeu que o nome representa o que está no "DNA" do partido, a sustentabilidade.
— O fazer político deve caminhar no sentido de uma política sustentável. O que estamos dizendo é que o modelo de desenvolvimento que gera saúde, educação, vida digna, é sustentável. Que as relações entre as pessoas devem ser sustentáveis. Quando falamos em sustentabilidade estamos falando disso, do que está no DNA do partido e é a principal ferramento de exercício da política institucional.
Segundo a ex-ministra, "rede" significa ainda que serão usadas as redes tecnológicas, interpessoais e das instituições para transmitir a ideia do partido.
— Se nós não fossemos uma rede não teríamos tanta gente aqui agora junto. Foram pessoas que pagaram suas passagens e vieram porque somos uma rede. Estamos aqui porque já existia essa rede e só estamos integrados assim. Foi assim na campanha de 2010, assim continuamos e assim vamos continuar. E essa é uma rede que embala um sonho de um Brasil.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013


Lendo em O Globo 

MOSCOU - Cerca de mil pessoas ficaram feridas, entre elas 200 crianças, após a queda de um meteoro na região dos Montes Urais, na Rússia, nesta sexta-feira. Onze estão em estado grave e foram levadas a centros médicos locais, segundo agências internacionais. A rocha, estimada em 10 toneladas, entrou na atmosfera e começou a se desfazer. Parte dela atingiu um lago na pequena cidade de Chebarkul, causando pânico entre moradores de todos os arredores. A onda de choque causada pelo fenômeno destruiu janelas e balançou prédios, enquanto equipes de resgate foram deslocadas para socorrer a população.



De acordo com autoridades, a maior parte dos feridos teve arranhões leves. Outros tiveram que ser atendidos em razão do susto. Não foram relatadas mortes em consequência do meteoro, mas o presidente Vladimir Putin, que nesta sexta-feira recebe ministros da Fazenda dos países do G20, e o primeiro-ministro Dmitry Medvedev foram notificados sobre o acontecimento.

No encontro, Putin criticou o sistema de alerta da Rússia contra meteoros - qualificando-o como “não totalmente eficaz” - e disse que o fenômeno deve interessar ao país “não somente de um ponto de vista astronômico, mas do ponto de vista do sistema de aviso para a população”.

A Academia Russa de Ciências estimou que a rocha pesava cerca de 10 toneladas. Fontes da agência de notícias Russian TV afirmam que o governo russo teria interceptado a rocha, que se desintegrou e caiu em três cidades, mas nada foi confirmado oficialmente até o momento.

Testemunhas contam que avistaram uma bola de fogo no céu, seguida de um flash e luz e o barulho de uma grande explosão. Alarmes de carros soaram, janelas quebraram e telefones celulares tiveram o funcionamento afetado pelo incidente.

- Nós vimos um grande flash de luz. Então, saímos para ver o que estava acontecendo e escutamos um som muito alto, como se fosse um trovão - disse Sergey Hametov, morador da região de Chelyabinsk, onde acredita-se que a maior parte do meteoro tenha caído.
Viktor Prokofiev, de 36 anos, morador de Yekaterinburgo, nos Montes Urais, disse que estava indo para o trabalho quando viu o meteoro. Com o clarão, ele sentiu como se tivesse ficado cego.

- Eu estava dirigindo para o trabalho, estava bem escuro, mas de repente veio um clarão como se fosse dia. Me senti como se estivesse ficado cego pela luz - acrescentou.

A região de Chelyabinsk, a cerca de 1.500 quilômetros de Moscou, abriga diversas fábricas, uma usina nuclear e o centro Mayak de armazenamento e tratamento de lixo atômico. A cidade de Chebarkul, alvo da rocha, tem 46 mil habitantes.
Incidentes do tipo são raros. Acredita-se que um meteorito tenha devastado uma área de mais de 2.000 quilômetros quadrados na Sibéria em 1908.

Asteroide passa hoje próximo a Terra

No fim da tarde desta sexta-feira, o asteroide 2012 DA14, uma rocha espacial com cerca de 50 metros de diâmetro, vai passar a apenas 22 mil quilômetros da superfície da Terra, a menor distância já registrada para um objeto do tipo. Autoridades chegaram a especular se a queda do meteoro na Rússia teria relação com o corpo celeste, mas cientistas afirmam que os dois fenômenos não estão relacionados.
Segundo a Nasa, não há nenhum risco de colisão do asteroide com o planeta nesta passagem nem no futuro próximo. Como a Terra orbita o Sol a uma velocidade média de cerca de 100 mil km/h, o 2012 DA14 vai “errar” o planeta por menos de 15 minutos.



Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/ciencia/meteoro-cai-na-russia-deixa-cerca-de-mil-feridos-7584616#ixzz2KzaNfeY2
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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

A Globo e a eleição de Henrique Alves


Lendo em Luis Nassif Online 

Por Assis Ribeiro
Do blog Os Amigos do Presidente Lula
Por Zé Augusto
O presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN) é deputado há 42 anos. A TV Globo tem 47. Alves é um dos donos da TV Cabugi, afiliada da Rede Globo no Rio Grande do Norte. Tem também a Rádio Globo Natal, a Rádio Difusora de Mossoró e o jornal Tribuna do Norte.
A TV de Alves surgiu em 1987, período em que ACM (o avô) era Ministro das Comunicações e distribuiu canais de TV para deputados e senadores votarem com o governo da época (Sarney) e com o "centrão" na Constituinte de 1988. O "centrão" era um bloco de parlamentares conservadores ou fisiológicos que barraram vários tópicos progressistas do interesse dos trabalhadores.
Certamente essa máquina de comunicação de massa no Rio Grande do Norte ajudou muito a conquistar alguns dos 11 mandatos de Henrique Alves. A Globo é, portanto, aliada política dele, pelo menos na maior parte do tempo.
Agora que o PMDB de Alves faz parte da base governista de Dilma, o jornalismo da Globo resolveu fazer restrições de natureza ética ao deputado às vésperas de sua eleição para presidência da Câmara. Ou seja, Alves serve para sócio da Globo. Serve para ser deputado aliado da Globo, votando de acordo com os interesses da emissora durante décadas. Para isso, a Globo nunca questionou a sua "ética", e sempre apoiou suas diversas reeleições. Quando ele resolve apoiar o governo Dilma em um cargo importante do legislativo, só aí deixa de ser ético, segundo o jornalismo da Globo.
Pessoalmente, para meu gosto, Henrique Alves está mais para candidato de meus pesadelos do que de meus sonhos. Mas institucionalmente ele é um deputado eleito pelo voto popular, diplomado pela justiça eleitoral, sem nenhum impedimento legal para exercer o mandato. Num Congresso de maioria ainda conservadora, conseguiu articular apoio da maioria de seus pares, inclusive dos partidos de esquerda da base governista mediante acordos que vem de dois anos atrás, para ser eleito presidente da Casa pelos próximos dois anos. Faz parte do ônus necessário para somar maioria, garantir a governabilidade na Câmara e manter a aliança PT-PMDB na próxima eleição. Se não atrapalhar no essencial o projeto de construção da Nação tocado desde 2003 por Lula e Dilma, é apenas mais um que passará pelo cargo.
A Globo, na verdade, está exultante com Alves lá e quis elegê-lo, afinal é um colega barão da mídia. A rigor a Globo até gosta do PMDB como partido mediador dos interesses mais conservadores dentro da base governista. O morde e assopra da Globo não passa de jogo para enquadrá-lo. 
Após ser eleito, Alves fez declarações de afirmação do legislativo na questão da Câmara dar a palavra final na cassação de mandatos de deputados que ficarem condenados no STF. A Globo e o resto da velha imprensa foram correndo perguntar ao presidente do STF, Joaquim Barbosa, o que achava da declaração, com os repórteres atuando como crianças na escola que intrigam outros dois para brigarem. O "Jornal Nacional" gastou 2 minutos com a intriga levada ao ar (em telejornais é a duração de notícias de destaque). Pelo jeito, Alves viu e, raposa velha que é, tratou de visitar Joaquim Barbosa para esvaziar a intriga, fazendo declarações de que não haveria conflito do legislativo com o judiciário.
O Henrique Alves repudiado até a véspera pelo jornal O Globo ganhou como troféu uma foto na capa como se fosse quase que o novo paladino da ética, ao lado do "Batman" do STF todo sorridente, fazendo o sinal de positivo. Para convencer eleitores potiguares desavisados, Alves poderá usar a foto na próxima campanha eleitoral como antídoto ao denuncismo de adversários.


Assim é a Globo. Indiretamente apoia a eleição de políticos de oligarquias arcaicas e fisiológicos, inclusive direcionando o noticiário desgastante contra políticos honestos e progressistas de partidos como o PT e o PCdoB. Depois de apoiar a eleição dos piores, a Globo usa a má atuação deles para desmoralizar o Congresso, e para desestimular os cidadãos a se engajarem na boa luta política para conquistar melhorias para suas vidas e para a Nação. Uma manobra para a influência e pressão política ficar nas mãos dos lobistas das grandes fortunas, como é o caso dos próprios donos da Globo, deixando o povo de fora.

O povo brasileiro já aprendeu a rir das bolinhas de papel da Globo e não elege mais para presidente da República os candidatos do Brasil arcaico que a emissora apoia. Falta o mesmo cuidado na hora de votar no deputado e senador.


A renúncia do Papa tem um significado político



Lendo em Convergência por Henrique Carneiro

A renúncia do Papa é apresentada como uma decisão pessoal, devido à idade. Evidentemente, é preciso buscar as razões de fundo para um gesto inédito nos anais recentes da Igreja e que enfraquece ainda mais a sua credibilidade.
Os pontificados ficam historicamente identificados com alguns dos fatos ou decisões mais importantes que marcaram esses períodos. O Papa Pio XII, contemporâneo do nazismo e aliado de Hitler na sua ascensão ao poder, ficou indelevelmente marcado por essa aliança. Mais no passado, o que resta na memória popular de Papas como Rodrigo Borgia, ou Alexandre VI, senão a reputação cruel e devasso, que nomeou o próprio filho Cesare Borgia, além de muitos outros parentes, como cardeais? De Júlio III, a nomeação como cardeal-sobrinho do amante de 17 anos, Innocenzo.
De Joseph Ratzinger, o Bento XVI, o elemento mais marcante de seu pontificado, antes da renúncia, parecia que iria ser a denúncia pública da pedofilia no clero. Poderá essa renúncia tirar o foco desse problema e sua sucessão lançar uma cortina de fumaça que oculte a série de escândalos?
Trago nestes breves comentários, de alguém que não é um vaticanólogo, apenas algumas evidências disponíveis para qualquer leitor de jornais de que essa renúncia não é um raio em céu claro. Que evidências são essas?
As de que o Vaticano viveu no pontificado de Bento XVI uma crise já antiga de perda de influência social e política, agravada pela perda da credibilidade moral com os escândalos de pedofilia. Mas ao se tratar dessa instituição, não se deve esquecer que ela é, do ponto de vista financeiro, uma das maiores multinacionais do planeta, com investimentos em bancos, corporações, reservas de ouro, etc. (MANHATTAN, 1983 mostrou a dimensão dessa fortuna).
No ano passado, a Igreja Católica viveu outra crise com as revelações de corrupção e negociatas feitas a partir dos documentos vazados pelo mordomo do Papa, no que ficou conhecido como Vatileaks. Dessa vez, a culpa não era do mordomo, que foi preso, processado, condenado e depois perdoado.
O Banco do Vaticano (o “banco mais secreto do mundo” como diz a revista Forbes (JORISH, 2012) é o IOR (Instituto das Obras da Religião), fundado em 1942. Nesse período o Vaticano vinha de uma colaboração com o regime nazista, por parte de Pio XII, mas, ainda antes disso, de uma colaboração mais estreita com Mussolini, que concedeu ao Vaticano em 1929 a assinatura do Tratado de Latrão com o estado italiano.
Esse tratado, também conhecido como Concordata foi o que permitiu o reconhecimento do Vaticano como um Estado dentro de outro Estado, incluindo a gestão das próprias finanças e a manutenção da influência política sobre a Itália que ficava com o catolicismo como religião oficial, o ensino confessional nas escolas públicas e outras vantagens ao clero. Só em 1978, houve uma alteração que tornou a Itália uma República laica e o divórcio foi aprovado.
Rompendo o isolamento em que o Vaticano havia ficado desde a vitória da república italiana em 1870, Mussolini concedeu também vultosas indenizações à Igreja. Parte desse dinheiro foi aplicado em Londres em aquisições imobiliárias que hoje alcançam o valor de cerca de meio bilhão de libras esterlinas, embora o valor real permaneça secreto, apesar das denúncias recentes do jornal Guardian (LEIGH; TANDA; BENHAMOU, 2013).
Os interesses econômicos do Vaticano também estão sendo afetados pela crise global, o que levou inclusive que em 2012 ocorresse o maior déficit fiscal em muitos anos no Vaticano, de cerca de 19 milhões de dólares (VATICAN, 2013). Nessa crise também incide o custo financeiro com os processos por pedofilia.
Os escândalos de pedofilia, além do custo moral, têm um preço econômico com os processos e indenizações, que só nos EUA, chegaram a três bilhões de dólares em mais de três mil processos abertos, com 3.700 clérigos denunciados, 525 presos, a maioria dos quais condenados e cumprindo penas.
Desde os anos de 1950 até hoje cerca de seis mil sacerdotes já foram denunciados nos Estados Unidos por abusos sexuais contra crianças, o que equivale a 5,6% do total do clero estadunidense (SCHAFFER, 2012). Figuras de proa da Igreja, como o líder dos Legionários de Cristo, no México, Marcial Maciel forma denunciados por pedofilia e outros abusos.
Bento XVI protegeu setores diretamente nazistas do clero, como o bispo Richard Williamson, negacionista do Holocausto que havia sido excomungado por João Paulo II, e cuja excomunhão foi revogada por Bento XVI em 2009. Apesar disso e de ter atendido aos interesses de setores ultraconservadores da Opus Dei e do Caminho Neocatecumenal, cerrando fileiras com partidos como o PP na Espanha para impor os planos de austeridade e flertando com a extrema-direita europeia, Bento XVI teria desagradado a esses setores ao tentar reconhecer parte dos escândalos de pedofilia para buscar limpar a reputação da Igreja. Isso levou um colunista de El País a avaliar que a renúncia foi resultado da pressão desses setores ultraintegristas (MORA, 2013).
Seja por causa das acusações de corrupção ou de pedofilia, a renúncia acrescenta uma nota ainda mais decadente a um Papa que dedicou seu pontificado a um apostolado de intolerância e repressão contra homossexuais, mulheres, muçulmanos e movimentos sociais. Num momento de crescimento da extrema direita católica na sua faceta mais fascista, como o caso do terrorista católico norueguês Breivik, o Papado de Ratzinger foi um ponto de apoio para a homofobia, o racismo, o sexismo, a intolerância e a perda de direitos sociais dos trabalhadores.
É provável que se jogue com a carta de Il Gattopardo, de Lampedusa, “mudar para tudo continuar igual”, mas para isso, os recursos da inteligência publicitária da Igreja podem contar com novidades, como o primeiro Papa não europeu da história, o que não deixará de manifestar mais uma vez um dos sintomas maiores da crise global do catolicismo, sua condição essencialmente branca e ocidental. Um Papa negro ou latino-americano não conseguirá alterar esse fato: a Ásia e a África permanecem imunes à religião imperial que o sistema de estados europeu trouxe em sua colonização global.
A participação do Vaticano nos interesses globais do capitalismo também não deve deixar a Igreja imune à onda de revolta anticapitalista que cresce especialmente nas duas margens do Mediterrâneo.
A recente aprovação pela Câmara Baixa do Parlamento francês da união matrimonial homossexual é só mais um sintoma de que os interesses patriarcais, misóginos e machistas do clero também estão perdendo lugar na definição da ordem legal e do quadro dos direitos civis do século XXI.
A última monarquia absolutista europeia, o Vaticano, sofre no gesto de renúncia daquele que foi consagrado como o “vigário de Cristo”, ou seja, o seu substituto, uma derrota simbólica profunda, pois demonstra falta de coragem e obstinação em carregar uma cruz até o final. A convivência de um novo Papa com o ex-Papa também esvazia a mística monárquica individual desse vicariato místico, dividindo em dois o corpo do substituto de Cristo na Terra.
Referências bibliográficas:
JORISCH, Avi. The Vatican Bank: The Most Secret Bank In the World. Forbes, 26 jun. 2012. Disponível em: http://www.forbes.com/sites/realspin/2012/06/26/the-vatican-bank-the-most-secret-bank-in-the-world/
LEIGH, David; TANDA, Jean François; BENHAMOU, Jessica. How the Vatican built a secret property empire using Mussolini’s millions. The Guardian, Monday 21 January 2013. Disponível em: http://www.guardian.co.uk/world/2013/jan/21/vatican-secret-property-empire-mussolini?INTCMP=SRCH
MANHATTAN, Avro. The Vatican Billions. Chino, CA: Chick Publications, 1983.
MORA, Miguel. Los movimientos ultracatólicos ganan la partida. El País, 1º Feb. 2013. Disponível em: http://internacional.elpais.com/internacional/2013/02/11/actualidad/1360588257_314838.html
SCHAFFER, Michael D.. Sex-abuse crisis is a watershed in the Roman Catholic Church’s history in America. Phylly.com, 25 Jun. 2012. Disponível em: http://articles.philly.com/2012-06-25/news/32394491_1_canon-lawyer-catholic-priests-catholic-bishops
VATICAN posts record-high budget deficit: $19M. CBSNews, 5 Jul. 2012. Disponível em: http://www.cbsnews.com/8301-202_162-57466929/vatican-posts-record-high-budget-deficit-$19m/

Run Cow Run, você precisa conhecer esse jogo vegano


Lendo em Vista-se 

Um dos mais divertidos jogos já lançados para plataformas móveis

Run Cow Run (Corra Vaca, Corra), é um jogo absolutamente imperdível lançado recentemente para celulares com sistema Android. Segundo o site oficial do jogo, a versão para iPhone e iPad será lançada em breve.

Baixe em seu celular e ajude a vaquinha a escapar do fazendeiro. É grátis!

Google Play (Android)  | Apple Store (iOS) – ainda não disponível

A estória

Em um belo dia de sol na fazenda, uma vaquinha muito simpática (mas simpática mesmo!) se dá conta de que suas companheiras que têm o número 269 na orelha estão sumindo. Então, ela vê que o fazendeiro, na figura de um monstro, está matando suas amigas para fazer bifes. Olhando para a própria orelha, prevê o que vem pela frente ao ver o número 269.

Sem pensar muito, a vaquinha sai em uma corrida desesperada por sua vida e é aí que você entra. Sua missão é ajudá-la a pular os obstáculos e a escapar do fazendeiro, que a persegue com um trator e um rastelo. Além de escapar do explorador, a vaquinha precisa salvar outros animais da fazenda que estão trancados e encaminhá-los para santuários de animais. Tudo muito dinâmico.

Assista ao trailer do jogo | Youtube


Mensagens veganas o tempo todo

O jogo foi criado pelo estúdio Bengigi, de Israel, e teve apenas 3 profissionais na equipe: Haim Bengigi, Oren Bengigi e Obed Bengigi. Run Cow Run traz uma mensagem vegana direta, a começar por seu slogan: “O jogo que a indústria da carne não quer que você conheça”. Run Cow Run traz mensagens veganas explícitas o tempo todo, de forma sutil e divertida. Logo de cara, o jogo convida: “Seja vegano, salve a vaca!”. Durante o jogo, enquanto o jogador voa com a vaquinha para pegar moedas, a palavra “vegan” aparece gigante na tela. Todo o drama do jogo gira em torno da exploração da indústria da carne, que mata animais.

Qualidade gráfica e sonora com diversão garantida

Não é só uma estória bonitinha, o jogo é realmente de alto nível, com gráficos lindos, no melhor estilo “Angry Birds”. As músicas são maravilhosas e os efeitos sonoros também. Apesar do tema pesado, os israelense do estúdio Bengigi conseguiram contrabalancear de forma genial as mensagens veganas com o humor, que garante diversão e aprendizado.

Provavelmente, Run Cow Run será sucesso entre as pessoas que gostam de jogar no celular. Os principais motivos são a jogabilidade dinâmica, os belos gráficos e o fato de ser de graça. Lançado há poucos dias, o jogo já tem dezenas de milhares de downloads no Google Play e recebe muitos elogios dos usuários.

Inspirado em fatos reais

Run Cow Run foi inspirado na campanha “269 life”, em que ativistas israelenses marcaram o próprio corpo com ferro quente em praça pública, a fim de chamar a atenção para os animais assassinados pela indústria (veja aqui).



Parlamentares esticam feriado e Congresso fica vazio



Lendo em O Estado de São Paulo  por Eduardo Bresciani


Apenas 5 deputados e 4 senadores registraram presença no pós-feriado; presidentes da Câmara e do Senado também se ausentaram


BRASÍLIA - O ditado popular diz que o ano só começa depois do carnaval, mas no Congresso a folga é ainda mais longa. Enquanto a maioria dos trabalhadores brasileiros retornou às suas atividades nessa quarta-feira, 13, Quarta-Feira de Cinzas, os parlamentares terão ainda mais alguns dias de folia antes de voltar ao ofício.

Câmara e Senado só têm votações previstas para a semana que vem. Até os novos presidentes das Casas, os peemedebistas Henrique Eduardo Alves (RN) e Renan Calheiros (AL), aproveitaram para esticar o feriado.
Não houve nem sequer sessão na Câmara na tarde de ontem. O deputado Izalci (PSDB-DF) era o único presente em plenário no início da tarde, às 14h, quando geralmente são abertos os debates. Ficou por cerca de 15 minutos e só então ficou sabendo que nem sequer havia convocação da sessão. Até as 18h, somente cinco dos 513 deputados tinham registrado presença. No Senado a sessão ocorreu, mas só para debates. Durante duas horas, apenas quatro parlamentares se revezaram em discursos na tribuna.
Como não houve votação, nenhum deputado ou senador terá desconto em seu contracheque de R$ 26,7 mil pelas faltas nessas primeiras três semanas do mês. A imagem do plenário deserto que se repetiu ontem foi mencionada por Henrique Eduardo Alves em seu discurso como candidato a presidente da Câmara. "Quantas vezes eu vi uma foto que se tirava dali, mostrando o plenário vazio, uma cabeça sentada aí, o corpo erguido aqui e o plenário vazio. Era uma segunda-feira ou uma sexta-feira. Era a imagem de que deputado não trabalhava. Injusta! Inaceitável! E os senhores sabem o trabalho que têm e que eu tenho nos finais de semana nas comunidades, nos sindicatos, nos municípios", disse ele na ocasião. Nessa quarta, a assessoria de Alves informou que o deputado está no exterior com a família e só retorna segunda-feira. Renan Calheiros (PMDB-AL), por sua vez, faz turismo no Rio Grande do Sul até o fim de semana.
"Acho tudo isso muito estranho. Temos o Orçamento de 2013 e mais de 3 mil vetos para votar", reclamou o deputado Izalci. "Isso acontece historicamente todos os anos", observou o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA).

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

As eleições em Israel: o que pode ocorrer?



Israel - Diário Liberdade - [Lejeune Mirhan] No dia 22 de janeiro ocorreram eleições para o 19º Knesset que é o Parlamento de Israel.

As pesquisas não conseguiram captar o sentimento real do eleitorado israelense, mais uma vez. O direitista Benjamin Natanyahu, atual Primeiro Ministro, tido como amplamente favorito, sofreu sérios reveses. No entanto, é provável que ainda consiga formar novo governo, ainda que frágil e tem até 60 dias para isso. É desse assunto que tratamos neste artigo.

Dizem os especialistas em Israel – não é o meu caso – que um governo israelense nunca teve uma maioria tão folgada no Parlamento como do atual ministro, desde as eleições passadas em 2009. Mas, foi perdendo alguns apoios no caminho, inclusive o socialdemocrata Partido Trabalhista (chamado Labor) afastou-se da base, assim como a deputada Tzipi Livni, ex-Kadima, agora Hatenua.

Para que possamos fazer uma análise sobre os desdobramentos das eleições, gostaria de apresentar algumas informações, dados e números, mesmo de eleições passadas. Não quero entrar aqui em mitos de que Israel e a imprensa que a apoia, de que esse país seria a "única democracia no Oriente Médio". Discordo frontalmente disso, mas não é este o foco deste artigo.

Leia também entrevista exclusiva dada por Lejeune Mirhan ao nosso site: Liberdade e justiça para o povo palestino

Eleições de Israel

A cada eleição parlamentar – lembramos que Israel se considera uma República parlamentarista – eles apresentam uma numeração. Esta que ocorreu em 22 de janeiro foi para o 19º Knesset, que é o nome, em hebraico, do seu parlamento.

Vale a pena registrar:


• Israel tem hoje registrados 32 partidos políticos. Muito parecido com o Brasil. A legislação para criar partidos é bem mais simples que a nossa. Alguns partidos são "movimentos" e às vezes – como essa novidade chamada Yesh Atid – foi formado alguns meses antes do pleito;
• A legislação fala em uma cláusula de barreira de 2% pelo menos dos votos válidos para conquistar cadeiras no parlamento, que tem 120 vagas (um deputado para cada 66 mil habitantes ou 47 mil eleitores; no Brasil somos um para cada 378 mil habitantes e 270 mil eleitores; em uma simples comparação no Brasil teríamos que ter um parlamento de 2900 cadeiras para ser igual Israel);
• Há muita pulverização partidária, mas isso é comum em ambientes onde vigora a chamada eleição proporcional. Nas eleições de 2009 e nesta agora, apenas 12 partidos conseguiram ultrapassar a cláusula de barreira para eleger deputados, ficando outros 21 sem representação (mas também não tiveram muitos votos). Registre-se que dos 12 com assentos no parlamento, apenas cinco possuem mais de dez deputados.


Aspectos ideológicos dos partidos

Ainda que eu saiba das limitações dos significados dos termos "esquerda", "direita", "centro" e "centro-esquerda", toda a imprensa israelense usa tais termos, assim como a imprensa internacional, que reflete no Brasil também. No entanto, existem vários partidos religiosos. Ainda que tenham força, eles são muito criticados dentro e fora de Israel.

Temos o Partido Comunista de Israel, a qual poderíamos classificar como "comunista", mas para efeito de somar de blocos e correntes de pensamento na sociedade, ele é aqui, neste artigo, chamado simplesmente de "esquerda". Da mesma forma a Lista Árabe (Ra'am-Ta'al), que também se articula no campo da esquerda.

Assim, conforme dados gerais que podem ser vistos na tabela que ilustra este trabalho [final do artigo], podemos fazer análise dos blocos. Em 2009 Netanyahu, que é muito mais que direita, sabemos disso, com seu bloco fiel fez mais ou menos as mesmas 61 vagas que agora repete (falaremos de 2013 depois). No entanto, ele conseguiu atrair o centro para sua coalizão governista. Trouxe os 28 deputados do Kadima (devastado em 2013) e mais o centro-esquerda Labor (Trabalhista). Isso fez com que sua base de apoio atingisse 102 parlamentares, ou 85%. Seria como se Dilma tivesse 436 deputados absolutamente fieis com ela em todas as votações! Dizem estudiosos da política israelense, que nunca na história de todos os governos de Israel, um governo teve tamanho apoio.

No entanto, a realidade foi sendo alterada ao longo de quatro anos de governo. O radicalismo de Netanyahu em não retomar as negociações de paz, fez com que ele fosse perdendo base de apoio. O próprio Kadima, do Ariel Sharon (em coma desde 2005), foi esvaziado, outros partidos foram fundados e se desligaram da coligação. Ele chegou fragilizado ao pleito, com os exatos 61 para compor maioria (apertada de 50% mais um).

A esquerda israelense

O maior e mais famoso partido que um dia foi bem mais a esquerda em Israel, é o Partido Trabalhista (eles chama de Labor na sigla inglesa). Governou Israel praticamente desde 1948 até a derrota em 1977 para o Likud de Menachem Beguin. No entanto, desde a onda neoliberal, ele migrou mais ao centro, defendeu propostas liberalizantes na economia, privatizações e perdeu apoio. É partido de feição socialdemocrata.

Nestas eleições voltou a seu patamar de 15 deputados, um crescimento de 15,38% com relação aos 13 que elegeu em 2009. Eles jogarão importante papel ou para formar um bloco de governo alternativo ou mesmo no campo da oposição, se não forem, mais uma vez, cooptados por Netanyahu.

Os outros quatro partidos de esquerda são Meretz, Lista Árabe, Hadash (Comunista) e o Balad. Também não é nosso foco entrar no programa e na ideologia detalhada desses partidos. Apenas para efeitos de analisar quem cresceu e quem diminuiu de tamanho, apenas o Meretz saiu de três cadeiras para seis. Os outros permaneceram do mesmo tamanho. No bloco, saíram de 14 deputados em 2009 para 17 em 2013, ou um crescimento de apenas 21,42%. Se somarmos centro-esquerda com esquerda, pularemos de 27 cadeiras para 32, com crescimento de 18,51%. Esses deputados representam apenas 26,6% do parlamento, ou seja, um quarto.

O centro também ficou mais ou menos estável. Votos antes pertencentes ao Kadima, que elegeu 28 deputados em 2009, agora distribuíram para o novato Ya'ir Lapid, o jornalista apresentador e bonitão que encantou muita gente e mais o novo fundado pela ex-chanceler Tzipi Livni, com seu Hatenua. Ficaram nesta eleição com 27 vagas.
Aqui não poderia de registrar o encolhimento do Bloco Likud e Yisrael Beitenu, do direitista Avigdor Liebermann (ex-chanceler e hoje processado pela justiça israelense). Esses dois partidos, que saíram separados em 2009, elegeram 42 deputados e agora caíram para 31. Perderam 11 cadeiras. Encolheram um quarto de seus votos.

Comentários e conclusões finais

Estou de pleno acordo com o título dado por Avnery (veja na referência abaixo*), em seu artigo sobre eleições. "Um passo para o centro". Todas as pesquisas indicavam uma vitória folgada de Netanyahu, que passou quatro anos atacando o Irã com seu programa nuclear, com a nítida intenção de esconder e tirar a questão palestina do centro das atenções. Não colou no eleitorado israelense.

A perda de apoio de Netanyahu pode ter sido um bom sinal para a retomada do processo de paz. E isso deve ser a tônica para a formação do novo governo. Netanyahu pode até conseguir – e é provável que vá conseguir – um bloco estável, atraindo o centro, mas deve passar a dizer com mais clareza que o processo de paz será retomado.

O isolamento internacional de Israel é tão grande hoje que sofreram na ONU o que talvez tenha sido a sua maior derrota no terreno diplomático da história. Sem canal de negociação, restou aos palestinos pedirem para as Nações Unidas a sua admissão como estado-observador. E venceram por esmagadora maioria. Só os EUA, o próprio Israel e mais sete países votaram contra. Foram 138 países a favor (isso significa 71,5% da ONU, que tem 193 membros plenos). O slogan da coligação direitista Likud/Beitenu era "Líder forte, Israel forte". Não deu certo. Como disse Avnery, "a força acabou". Ou diminuiu muito pelo menos.

A novidade no cenário político é uma espécie de William Bonner israelense, que com seu partido criado alguns meses antes do pleito, acabou por eleger 19 deputados e é considerado de centro e defende os processos de paz. Lapid é estrela em ascensão na política israelense e muitos analistas dizem até que ele possa vir a ser um dia primeiro Ministro. Pessoalmente, não sei exatamente para que lado ele caminhará. Acho que dependendo do que for lhe oferecido por Netanyahu, poderá sim integrar a coalizão governista. A decepção foi com a Tzipi Livni, que mesmo se declarando de centro, nunca falou em "processo de paz", mas usa o absurdo termo de "arranjo com os palestinos". Lamentável.

No geral, grosso modo, a direita religiosa sai menor, a esquerda cresce um pouco e o centro se consolida. A perda clara, quase que uma derrota foi de Benjamin Bibi Netanyahu. Os Trabalhistas, com sua líder Shely Yachimovich não conseguiram galvanizar a sociedade e não se credenciam para formar um bloco que poderia vir a governar Israel. A esquerda israelense deve tentar preservar uma unidade com a esquerda árabe. Discriminar os árabes-israelenses neste momento só dificulta a paz. Eles devem e precisam se integrar ao processo político em Israel. Ficar de fora não ajuda. A diferença de dois deputados para o bloco centro/esquerda chegar a ter 61 vagas poderia ter sido resolvida se a maioria dos árabes-israelenses tivessem votado (a abstenção é alta nesse segmento da sociedade).

Meu sentimento é parecido com o de Ury. A coisa estaria mais ou menos empatada. A paz na região esta associada a processos que correm neste momento nos países vizinhos, que setores da mídia chamam de "Primavera Árabe". Também esta relacionado com a política externa estadunidense. Obama deve ir à Israel pela primeira vez em março. Trocou o comando de sua diplomacia e forças armadas (Pentágono e Secretaria de Estado). Emite sinais de que vai mudar a política para o Oriente Médio.

De nossa parte, como estudioso daquele mundo, seguimos pesquisando cada dia mais sobre o tema. Mas, como militante em defesa da causa palestina, seguimos apoiando com firmeza a edificação do Estado da Palestina, envidando todos os nossos esforços para que isso se consolide breve. Os palestinos precisam e merecem o seu estado nacional.

*Leiam excelente artigo de Ury Avnery do Movimento Gush Shalom (Bloco da Paz) http://zope.gush-shalom.org/home/en/channels/avnery/1359071590/. Gosto do escritor Ury Avnery. Em meu último livro sobre a Palestina (E se Gaza Cair... da Editora Anita), eu selecionei 45 artigos de diversos escritores, dos quais sete do Ury, a quem espero um dia conhecer pessoalmente.

Lejeune Mirhan é sociólogo, professor, escritor e arabista. Também é colunista da Revista Sociologia da Editora Escala e colaborador dos portais da Fundação Maurício Grabois e Vermelho. Foi professor de Sociologia e Ciência Política da UNIMEP entre 1986 e 2006. Presidiu o Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo de 2007 a 2010. Recebe mensagens pelo correio eletrônico lejeunemgxc@uol.com.br.